Curso de cruzamento industrial entre Red Angus e Nelore

Cruzamento industrial Red Angus x Nelore

Uma análise histórica permite concluir que o mercado pecuário brasileiro, nas últimas décadas, avançou mais do que nos outros 500 anos, desde o descobrimento do país, época em que o primeiro bovino aqui chegou com os primeiros colonizadores. A fase de avanços tecnológicos, visando o aumento da produtividade e rentabilidade com a bovinocultura, continua acelerada e o progresso do setor pode ser constatado em vários indicadores econômicos.

A realidade mostra que, com a organização do setor pecuário em nosso país e os cuidados com a sanidade, eliminando o risco de contaminação com a febre aftosa e o controle decarrapatos, berbes e moscas dos chifes, teremos cada vez mais mercados a explorar. O mercado internacional é comprador de carne de qualidade, especialmente se for oriunda de animais criados a pasto, sem hormônios, jovens ao abate, livres de aftosa e do risco da vaca louca. O Brasil produz essa carne de norte a sul, com baixo custo, dada a excelente condição climática de que dispomos. A carne é feita a pasto, pois nosso produto é o boi de capim.

Outro grande mercado a ser mais bem explorado é o interno, responsável pelo

consumo de 90% de nossa produção. Carne macia, sem excesso de gordura e com selo de qualidade é uma tendência de consumo irreversível em nosso país. Isso mostra que a carne oriunda de novilhos precoces e superprecoces terão cada vez mais valor e procura, pois atendem os desejos dos consumidores mais exigentes. Os animais produzidos do cruzamento da raça Red Angus com a Nelore enquadram-se perfeitamente nessas duas categorias.

O vigor híbrido se manifesta no resultado do cruzamento, complementando a adaptabilidade dos zebuínos ao ambiente tropical, com a alta capacidade das raças especializadas de corte européias em produzir carne de qualidade rapidamente. Nesse contexto, os animais mestiços red angus-nelore se transformaram, nos últimos anos, em um dos mais bem sucedidos resultados de cruzamento, passando a ocupar um lugar de destaque na pecuária brasileira.

Tipos de cruzamentos mais usados

Cruzamento simples ou industrial

Também conhecido como de primeira geração, o cruzamento industrial envolve o cruzamento de fêmeas de uma raça pura (B) com machos de uma raça pura (A), sendo necessário que o criador tenha em sua propriedade machos e fêmeas puros das raças A e B.

Desse cruzamento, obtêm-se, na primeira geração, os mestiços ou F1. Como exemplo, faz-se a cobertura das vacas Nelore com touro Angus, seja por inseminação artificial, seja por monta a campo, obtendo-se a primeira geração (F1) com metade do sangue de cada raça, daí o nome “animais meio-sangue”.

O objetivo desse cruzamento é aproveitar o vigor híbrido, e obter animais rústicos, mas precoces, que ganham peso rapidamente, sem sofrer o estresse causado pela alta temperatura, mas tendo carcaças de boa qualidade.

Cruzamento rotativo ou alternativo

O cruzamento rotativo consiste no uso alternado de reprodutores de raças diferentes a cada geração, ou seja, utilização de um reprodutor de uma raça (A) por uma geração, seguido por reprodutores de outra raça (B) acasalado com as filhas dos reprodutores usados na geração anterior.

Os cruzamentos envolvendo duas raças produzem animais com 2/3 (67%) de genes da raça do pai e 1/3 (33%) da raça do avô materno, sendo a heterose nos mestiços 67% da heterose máxima observada nos animais F1 (“meio-sangues”). Quando são envolvidas três raças, as proporções genéticas se estabilizam com 4/7 (57%) da raça do pai, 2/7 (29%) da raça do avô e 1/7 (14%) da raça do bisavô e a heterose esperada corresponde a a 86% do valor máximo observado na geração F1.

Como exemplo, podemos cruzar as fêmeas F1 com touro Angus ou Nelore, gerando fêmeas F2. Elas têm 3/4 de sangue de uma das duas raças e serão cobertas por touros da raça da qual possuem menor grau de sangue. Da mesma maneira, o cruzamento é conduzido na geração F3, e assim sucessivamente.

Veja os detalhes do cruzamento entre essas duas raças no curso “Cruzamento Industrial Red Angus X Nelore”, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas. A coordenação técnica do curso ficou a cargo do professor Paulo Eduardo Fonseca Loureiro, médico veterinário, renomado consultor com grande experiência na área.

http://www.youtube.com/watch?v=GswjfKgrGGk

Marconi Vieira 15-04-2010 Pecuária de Corte

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